Repercutindo o texto do escritor Francisco Balbino publicado no blog O Folheto. Balbino é formado em Pedagogia, é morador de São Pedro, e está sendo cotado como pré-candidato a vereador na disputa de 2012.
Confira!
A GENTE TAMBÉM QUER RESPEITO, JUSTIÇA E DIGNIDADE
O povo poderia cantar pelas ruas e com total liberdade a música “Comida” dos Titãs. Esta canção é uma das mais fortes expressões sociais; sua letra contém um apelo que comove e mostra de maneira franca e escancarada a exigência por igualdade e por uma vida mais completa, onde todos possam ter o básico para sobreviver bem.
Uma gestão que consolida seu papel administrativo na valorização do povo, no combate à pobreza e à miséria, que proporciona boa educação, geração de emprego e boa saúde, merece o reconhecimento e os elogios de todos, todavia, uma administração que cerceia as pessoas das suas oportunidades profissionais, que persegue seus adversários, que não dialoga, que não ouve o povo é o retrato do mais puro descaso.
Você tem sede de que? Você tem fome de que? Estas duas perguntas podem conseguir muitas respostas, entretanto, se o povo pudesse respondê-las diria que tem sede e fome de justiça, de dignidade. Além da fome física que martiriza muitas famílias da nossa cidade há outra fome que não pode ser saciada por comida, porque não é uma necessidade material, mas está acima do que se pede para sobreviver de maneira honesta e digna – o povo tem fome de respeito.
Como uma cidade pode se desenvolver mediante a face de um povo arruinado e excluído, mediante propostas que não passam de fantasias, mediante uma gestão sucateada e sem nenhum valor humano? O povo não quer só comida, apesar de faltar na mesa de muitos; condição sem a qual não se pode sorrir e viver. O povo quer ter o direito de dizer que mora numa cidade justa, ter o direito de ser ouvido, ter o direito de ocupar o cargo público que conquistou o direito à liberdade que merecem como cidadãos.
A gente não quer só comida
A gente quer comida, diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída para qualquer parte.
A gente não quer só dinheiro
A gente quer dinheiro e felicidade
A gente não quer só dinheiro
A gente quer inteiro e não pela metade.
Os gigantescos versos da canção cospem num sistema que pisa nas pessoas e que foge da responsabilidade de cuidar do seu povo. Como o povo poderá comprar comida sem dinheiro, já que as verbas públicas são saqueadas e não aplicadas corretamente na cidade? Está tudo pela metade, enquanto o povo morre à míngua no esquecimento e nenhuma mudança acontece. O povo tem direito à felicidade, tem direito à comida, ao dinheiro – o povo tem o direito de se sentir completo, e isso representa uma conquista para todos, não somente para alguns. Não é justo compartilhar entre poucos os bens materiais ao qual todos os cidadãos tem direito, e que poderia mudar para melhor o retrato de toda uma cidade, de todo um povo trabalhador e honesto.
A gente não quer só comida
A gente quer respeito, justiça e dignidade
A gente não quer só promessa
A gente quer trabalho e honestidade
E você tem sede de que? Você tem fome de que?
Você também tem voz. Pode falar.
Francisco Balbino Sousa
Escritor