Este é um texto escrito pelo Professor Francisco Balbino, Pedagogo e Escritor, que agora também escreve para o blog "O Folheto".
Dentre outros assuntos o texto fala sobre a dificuldade que nosso povo tem de encontrar emprego na cidade. É um tanto quanto a apelativo, quando ele tentar responsabilizar o governo municipal pela falta de empregos. Cremos que essa é uma realidade existente em todos os municípios do porte de São Pedro. Mas, indicamos a leitura, confira o texto na íntegra abaixo.
Do blog "O FOLHETO"
Nossa cidade mais se assemelha a uma terra árida e erma do que a uma terra próspera e de oportunidades, porque oportunidades já não existem. Uma parcela significativa da nossa população está migrando à procura de trabalho e de uma estabilidade econômica favorável. Uma terra sem justiça social, desenvolvimento, igualdade e crescimento econômico propicia a fuga da massa que se sente abandonada e que luta pela sobrevivência num mundo mais competitivo e exigente.
Cotidianamente há pessoas deixando a cidade numa migração desenfreada, uma vez que nada é feito ou pode ser feito para mudar essa situação. Nossa cidade estagnou no tempo, mais parece uma terra atirada às traças, onde fazem o que querem pelo simples fato de terem poder pra isso: sem antes pensar no povo, sem antes colocar o amor pelo município acima das próprias pretensões.
O que estão fazendo da nossa cidade e com nosso povo? O que mais poderão fazer pra piorar as coisas? É verdade que se alimenta uma revolta pela degradação que o município sofre e que muitas pessoas encontram maneiras diferentes de lhe dar com isso; algumas continuam lutando contra o erro e o descaso, outras cruzam os braços, outras vão embora. Todas as pessoas, portanto, de modo particular, encontram forças pra manifestar a opinião e confessar o sentimento de descontentamento que sufoca o peito.
Acima do sentimento de afeto que muitos cidadãos de São Pedro da Água Branca têm por sua cidade natal, está a necessidade de sobrevivência, a busca por um trabalho digno que lhes permita uma vida melhor, porque o nosso reduzido mercado de trabalho encontra dificuldades pra se manter, visto que as poucas oportunidades conquistadas ainda são muito pequenas, considerando a escassez de serviços, isso sem deixar de ressaltar as vagas auferidas em concurso público por um público de trabalhadores que são impedidos de exercer suas funções, de trabalhar e de conquistar seu espaço no mercado de trabalho. Pode um negócio desse!? Aqui se pode tudo e mais um pouco, infelizmente essa é a cara dessa pequena parte do Brasil.
E o povo como fica? O povo nesse exato momento da nossa história não te vez, por isso deve ir embora, são quase expulsos do próprio lar, quase degredados da própria pátria. O que se percebe são vestígios de uma ditadura que ainda não morreu, um sistema político que perseguiu, condenou, torturou e baniu para fora o povo de seu país sem nenhum ressentimento ou amargura.
Pobres filhos de uma pátria que tem em suas raízes a perniciosa culpa da corrupção, da coerção e da injustiça – assim é o nosso povo. Manchada por esses obstáculos, nunca poderá se desenvolver uma cidade a altura do que o povo merece para ser feliz e viver do seu trabalho, pisando em seu chão com orgulho e prazer. Enquanto isso não for construído, ou seja, as bases de uma cidade onde o cidadão permaneça no ventre do seu berço tendo condições favoráveis de uma vida estável; o que restará é o desfalecimento e a evidente decadência que assombra a esperança que se tem de melhorar.
Perder a esperança é deixar de sonhar, deixar de sonhar é deixar de acreditar nas coisas possíveis de serem realizadas e conquistadas. Não é saudável abandonar a crença de uma cidade melhor e mais rica para todos, somente por que nossa história até agora foi marcada por atos extremos de desinteresse pelo povo e suas prioridades. Ainda há tempo de resgatar a dignidade que cada pessoa traz consigo, na construção de uma cidade mais acolhedora pra se viver, onde não seja necessário abandonar o chão amado. O povo não pode ser esquecido e tratado como com menosprezo. O povo é que carrega consigo a cidade, é que constrói o futuro da cidade, é que planta com o suor do seu trabalho a semente que germinará e que dará bons frutos.
Francisco Balbino Sousa
Esse é o cara! O que ainda me fortalece é saber que ainda tem gente disposto a bater de frente com essa corja de corrruptos.
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